quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
A formação de um ser humano.
A formação de um ser humano envolve muitas questões: que instrumentos e com que objetivos se dedica tempo à formação? e quem dedica tempo a realizar este objetivo?
Eu percebo em minhas postagens em vários lugares, nas conversas que desenvolvo, na convivência com vizinhas com filhos na escola, que tenho um insistente incômodo com a educação em boa parte das escolas brasileiras. Falo, é claro, da indigna remuneração dispensada aos professores; da falta de estrutura de grande parte das escolas; da falta de recursos tecnológicos e equipamentos, como laboratórios e bibliotecas. Mas, também reconheço, educação não é tarefa apenas da escola. E formar uma pessoa envolve mais do que o curriculum escolar.
Considerando que vivemos em sociedade, o que só é possível se houver regras comuns a todos, estamos falando de transmitir aos mais jovens Leis e Costumes, sem os quais um atropelaria o espaço/direito do outro, o que minaria qualquer possibilidade de ordem social. Mesmo eu tendo críticas à atual organização capitalista da sociedade, o que está baseado na economia de mercado e se apresenta em outros aspectos, como a cultura, a arte, o lazer e etc, o combate a este formato é feito dentro deste formato, e há de se ter alguma ordem e continuidade, caso contrário parecerá um mero acesso.
Mesmo a educação escolar necessita de algo mais que a escola. Por exemplo em História: as cidades são o palco em que a história acontece; são também uma parte da geografia do mundo. Esperar que somente na escola tudo seja transmitido é, no mínimo, cinismo. No entanto, penso que há um elemento que vem sendo subestimado e subaproveitado: refiro-me ao aluno. Ao interesse, à sua participação.
Há questões que dizem respeito ao conjunto da sociedade, à sua história que - como vem acontecendo na América do Sul - precisa ser recontada, investigada, de modo a promover ajustes posteriores a censuras empreendidas por ditaduras que, em geral, disseminam histórias e fatos mentirosos para justificar atrocidades que praticaram. Mas, embora seja uma grande oportunidade de participação popular, há que se ter populares interessados e dispostos a isto. Mesmo graduandos e acadêmicos que, por disporem de método, poderiam dar grande contribuição.
Não estou falando do exercício da profissão de pesquisador, mas do exercício da cidadania, que precisa - é óbvio - de cidadãos.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
A formação e a atuação
Se hoje sou Mestre em Literatura Portuguesa é porque um dia me sentei num banco para ser alfabetizada, segui até terminar o Ensino Médio, depois fiz vestibular 6 (seis) vezes, entrei pra universidade, depois especialização, entrei e concluí Mestrado, e isso enquanto vivi, enfim. É uma vida.
E pra que esse esforço todo num país em que, historicamente, a educação é para poucos e o professor não tem valor?
Fui aluna de pré-vestibular comunitário, sem o qual não teria conseguido passar no vestibular. Em retribuição, fui professora de um pré-vestibular comunitário durante o mestrado. Ontem encontrei um dos meus alunos, que agora estuda na UERJ/FFP. É uma das melhores sensações saber que contribuimos com a construção do caminho de outro ser humano.
Desde pequena eu sei que professores tem um enorme poder de nos ajudar a transformar a vida, a construir caminhos. Certamente é por isso que são tão combatidos os professores. São extremamente perigosos. O diabo é que não se pode formar nem mesmo a mão de obra de que os empresários precisam sem professores.
Me parece que o que se tenta no momento é conseguir que as escolas somente ensinem o necessário para a produção de trabalhadores, mas obrigar os professores a pararem com essa coisa de ficar tentando formas de ensinar "o amais", o fora da apostila tal ou qual, fora do curriculum mínimo. só que não!
sábado, 31 de agosto de 2013
Exercícios, argumentação e o ser humano.
Se eu perguntasse sobre esta imagem, o que pode ser dito? 1) que pode ser uma sessão de fisioterapia; 2) Que é fisioterapia num homem?; 3) Num idoso? 4) Que são dois amigos conversando?; 5) Que ele foi visitá-la no trabalho?. 6) Que ela foi visitá-lo num hospital?
Ainda haveria muitas perguntas que eu poderia fazer, pois, se uma imagem vala mais que mil palavras, ela não responde à pergunta: que palavras?
Este é Renato Artur Nascimento, homem, irmão, pai, marido, professor de História, ex-metalúrgico, Secretário Geral do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro na gestão de 1987/1990, comunista e um homem que pensa. Um grande amigo. Sim, ele tem necessidade de fisioterapia por ter sido acometido por SIDEROSE SUPERFICIAL DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL.
Renato tem um bom gosto imenso para música, artes, literatura; desenvolvemos uma pesquisa no âmbito da história do Brasil, tendo como ponto de partida a história das lutas dos trabalhadores metalúrgicos, via seu sindicato.
Ela é sua fisioterapeuta, mas só sei dela a profissão.
Errou quem pensou num inválido. É fundamental que olhemos para as pessoas como pessoas.
domingo, 18 de agosto de 2013
Política faz parte da formação.
Sim, política é fundamental na formação dos cidadãos, e isto não quer dizer que cada pessoa deva estar vinculada a algum partido para isso. Eu estou aproveitando um momento de congresso do meu PC do B para discutir o que me interessa e o que me incomoda, porque militar num partido, como em qualquer organização - inclusive as religiosas, envolve aprendermos a lidar com a divergência e discordâncias.
A formação acadêmica de qualquer pessoa que se disponha a isso deve conter certa diversidade de conhecimentos. Não é interessante para um matemático não ter conhecimento algum de literatura ou história, por exemplo, visto que o ser humano é complexo,e a vida mais ainda.
Mesmo numa preocupação prática, aumentar nosso repertório é uma grande ferramenta para desenvolvermos melhor nossa atividade em qualquer área, porque com um universo maior de dados pra nossa mente pesquisar e relacionar, é melhor para ter ideias, buscar soluções, se reerguer depois de um erro, viver.
Recomendo que leiam sobre ética em mais de um autor, que conheçam os pensamentos centrais dos partidos existentes em seu país, que interfiram no andamento da sociedade de alguma forma. É parte em sermos parte deste mundo tão organizado em segmentações.
Essa foto nada linda sou eu, num dia rio, tomando um chá e lendo as teses do meu partido, na caminha do meu pequeno e com a coberta de crochê que fiz pra ele ano passado.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
O que entendemos por formação?
No modelo de sociedade em que vivemos, já faz um certo tempo, temos redes de escolas públicas, mas formação começa em casa, com a convivência familiar no geral, não só com o que é da obrigação dos pais ensinar visando a educação dos filhos. Sendo o ser humano complexo, não podemos esperar que a formação seja algo simples.
Há uma grande parte da tarefa que depende dos esforços do próprio cidadão. Isto diz respeito à leitura de livros, jornais, revistas, a ouvir músicas diversas, a observação de obras de arte de diversos momentos e escolas artísticas, e também técnicas e estilos, e mesmo do conhecimento dos lugares do mundo.
De um modo geral, em nossas escolas públicas não federais, o aluno vai até o final do ensino médio esperando receber conhecimento dos professores.No momento seguinte para os que ingressam na Graduação, deparam-se com a necessidade de modificar essa postura, visto que precisam pegar um ritmo de leituras prévias para serem debatidas em aula, ou pesquisas em laboratório, listas de exercícios de física, matemática, enfim, é necessária uma nova postura.
O Nobel de literatura José Saramago, que tinha ensino médio técnico, formou-se frequentando biblioteca pública. Na entrega do prêmio, em seu discurso afirmava que seu avô (analfabeto) era o homem mais inteligente que conheceu na vida. Formação necessita muito esforço e interesse pessoal.
sábado, 11 de maio de 2013
Lendo, profissionalmente e para relaxar.
Quando eu estava na graduação, saindo de uma aula de inglês, um colega me "flagrou" no ponto do ônibus lendo um Saramago. Acho que era A CAVERNA. Ele disse pra eu descansar um pouco das tarefas, e respondi que não era tarefa, era distração. Ele acho engraçado, e disse: essa está na carreira correta!
Recentemente, logo depois da defesa do Mestrado em Literatura Portuguesa, comecei a ler o último livro da J. K. Rowling, MORTE SÚBITA. Queria me distrair com algo grandemente diferente da poesia portuguesa, não porque eu não goste dela, ou esteja enfastiada, mas para aproveitar que não tinha uma lista de obras pra ler pro Mestrado, pra escrever algo sobre. Tinha um tempo livre e queria me distrair, lendo...
É claro que, depois que aprendemos a fazer as leituras com certas "técnicas e teorias", não desaprendemos de ler assim nunca, mas não é por isso que ler deixe de ser um prazer ou distração. A literatura fornece muita companhia. Imagina, passar 7 anos acompanhando Harry Potter, a gente se sente colega dos Wisley, do Harry; sente falta do Dumbledore depois do sexto livro e por ai vai. É como ter amigos que moram em outro estado ou país.
Um romance não substitui a convivência com seres humanos de carne e osso; não é possível se sentir abraçado, por exemplo, e um livro não vem falar com você, se não o pegardes, nada de história. Mas como não se perder com Ulisses na ODISSÉIA, depois da guerra de Tróia; como não tramar junto com O CONDE DE MONTE CRISTO aquela vingança; como não se acabar de rir com o Chico no AUTO DA COMPADECIDA.
Essas sensações são tão reais quanto ir ao bar ou passear na rua com alguém.
Recentemente, logo depois da defesa do Mestrado em Literatura Portuguesa, comecei a ler o último livro da J. K. Rowling, MORTE SÚBITA. Queria me distrair com algo grandemente diferente da poesia portuguesa, não porque eu não goste dela, ou esteja enfastiada, mas para aproveitar que não tinha uma lista de obras pra ler pro Mestrado, pra escrever algo sobre. Tinha um tempo livre e queria me distrair, lendo...
É claro que, depois que aprendemos a fazer as leituras com certas "técnicas e teorias", não desaprendemos de ler assim nunca, mas não é por isso que ler deixe de ser um prazer ou distração. A literatura fornece muita companhia. Imagina, passar 7 anos acompanhando Harry Potter, a gente se sente colega dos Wisley, do Harry; sente falta do Dumbledore depois do sexto livro e por ai vai. É como ter amigos que moram em outro estado ou país.
Um romance não substitui a convivência com seres humanos de carne e osso; não é possível se sentir abraçado, por exemplo, e um livro não vem falar com você, se não o pegardes, nada de história. Mas como não se perder com Ulisses na ODISSÉIA, depois da guerra de Tróia; como não tramar junto com O CONDE DE MONTE CRISTO aquela vingança; como não se acabar de rir com o Chico no AUTO DA COMPADECIDA.
Essas sensações são tão reais quanto ir ao bar ou passear na rua com alguém.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Aprender com o passado, produzir o futuro.
Na minha família sou a primeira a concluir uma pós-graduação. Meu filho mais velho é o primeiro a frequentar a escola consecutivamente, até entrar pra faculdade. A cada geração vamos conquistando mais avanços, me parece. Mas esta não é a realidade em todo o país de modo uniforme. (Nesse país, enorme, deve ser difícil alcançar uniformidade nos avanços). De lá pra cá muita coisa mudou, o ensino - do ponto de vista das vagas - foi universalizado no nível fundamental, e matricular os filhos entre os 6 e os 17 anos de idade tornou-se obrigatório. Falta agora a qualidade, que é outro patamar de questão.
Essa semana soube que uma ex-aluna que tive quando lecionei num pré-vestibular comunitário entrou para o curso de História, na URJ-FFP. Ela já tem uns 50 anos, é negra, mal remunerada, estudou "fora de época" e, contra toda a expectativa, "chegou lá". Acho muito animador quando vejo pessoas suplantando os destinos "naturais" impostos pelo lugar e status social em que nasceram. E isso não é demonstração de liberdade do capitalismo, mas sim exemplo de que o ser humano pode extrapolar e se superar.
O Brasil está diante de uma mudança importante, que envolve a entrada de pessoas de fora da elite do ensino secundário nas universidades. Um momento de tensão, sem dúvida, como todos os momentos de transição. Uma universidade construída para um público, mudanças no público, e permanência de poucos investimentos e metas industriais desejadas pelo governo no que tange à formação de Mestres e Doutores.
Como sempre dizemos ao lecionar para os alunos do pré, passar no vestibular é uma primeira vitória, mas há de seguir subindo outros degraus.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
MESTRE, com um nove e meio.
Este rapazinho com feições portuguesas na foto é o meu orientador, Luis Maffei. Ele é, realmente, um grande profissional.
No último dia 19 de março, pela manhã, aconteceu a defesa, o momento de encerramento do curso de mestrado por excelência. E é um momento muito importante, pois uma dissertação de mestrado é um trabalho construído ao longo de dois anos, mas que envolve um espectro de elementos maior do que tempo e leituras imediatas, visto que demanda por parte do aluno a formulação, em que é fundamental todo o seu cabedal de informações e experiências.
Há um ano atrás cheguei a pensar que não terminaria, que não valia à pena terminar, devido a certas pedras no caminho, para ser eufemista e lembrar Drummond. E é um grande alívio ter conseguido terminar. O título é importante, mas há uma série de outras questões envolvidas, de maior valor se tenho como perspectiva uma vida inteira e não um mero diploma.
É enriquecedor, mesmo com os percalços, afinal todas as etapas oferecem oportunidades de aprendermos algo, inclusive o que não fazer, em quem não confiar, que caminhos trilhar, em que momento fazer flexões de rumo, sem perder o objetivo.
Agora os estudos sobre Jorge de Sena ganharam um novo tema: TRABALHO E TRABALHADORES.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Retrospectiva 2012
Aprendi muitas coisas desde que entrei pra universidade, em 2006. No entanto, provavelmente a lição mais importante é que o conhecimento não mora necessariamente lá. Não é uma perda de tempo a universidade, mas acho ligada demais ao personalismo de certas figuras,e acho que isso atravanca o processo.
Para os próximos dois anos pelo menos, pretendo aprender com Mestres do quilate de J. R. R. Tolkien, Jorge de Sena, James Joyce, Melville, Tolstói, Dostoyevsky, Ruy Belo, Luiz Miguel Nava.
Para os próximos dois anos pelo menos, pretendo aprender com Mestres do quilate de J. R. R. Tolkien, Jorge de Sena, James Joyce, Melville, Tolstói, Dostoyevsky, Ruy Belo, Luiz Miguel Nava.
sábado, 17 de novembro de 2012
Estudantes e feriados.
Mesmo eu não sendo exatamente uma fã de cálculos e estatísticas, minhas experiências como aluna, mãe e professora me mostraram que grande parte dos alunos vê nos feriados uma grande oportunidade de se libertar da tortura de estudar. Primeiro, por não precisarem ir para a escola.Segundo, apelando para o salutar descanso, e bem merecido somente no caso de bem poucos alunos muito dedicados. Sendo assim, vamos por partes.
Equilíbrio é muito importante quando se trata da construção das nossas vidas, e é algo plenamente desprezado durante a nossa juventude, período da vida em que nos sentimos irmãos siameses do superman. Quem é de estudar exagera, quem é de trabalhar exagera, quem é de vagabundear também. Excessos, como sabemos, não fazem bem.
Pode ser proveitoso pensar porque se rejeita assim o que chamarei de "tempo da escola", porém, isso me leva imediatamente a perguntar se é a escola que rejeitam ou a formação, a possibilidade de aprender. E nas nossas instituições de ensino há a possibilidade de estarmos em contato com o conhecimento? Bom, responder a isso será para uma outra postagem.
Para quem estuda sem se prender às limitações do nosso ensino, nem dos anseios do capitalismo, e mesmo para quem estuda visando o mercado de trabalho, um feriado é uma grande oportunidade de ler textos com calma; fazer ou refazer cálculos complexos, buscar informações suplementares, ou ler algo que está fora da sua alça de mira, buscando pura distração ou uma formação mais ampla e baseada.
A vida é repleta de oportunidades, muitos já disseram, mas nunca é demais repetir. Mesmo as adversidades, os erros, são oportunidades de aprender, guardado o tempo necessário para afastar as mágoas - que embaçam a nossa visão. Aprender, assim como viver, é difícil e trabalhoso, mas sem isso não aproveitamos a vida amplamente.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Atividades extracurriculares
Lavadeira - PAUL GUIGOU 1860
Estudamos sob curriculuns escolares que não determinamos. Em que pese esta ser uma parte importante da nossa formação, há uma série de experiências que podemos e devemos ter fora da sala de aula. Para alguém que estude engenharia civil, por exemplo, visitar as construções do Niemeyer é tão ou mais importante do que muitos livros.
Esta pintura belíssima que vemos nesta postagem está em exposição no CCBB RJ, como parte de IMPRESSIONISMO, PARIS E A MODERNIDADE, até 13 de janeiro de 2013. Eu fui apreciar as obras no dia 2, e nesta quarta dia 7 levei os meus pequenos. Arte é essencial na vida das pessoas, mais ainda para os que estão em plena formação escolar/acadêmica.
Aproveitando a internet, há sites como o DOMÍNIO PÚBLICO, repleto de obras literárias, obras de arte; há a possibilidade de ouvir e/ou baixar as obras de Beethoven; Karl Orf; Vivaldi, Verdi, se falamos em música. Precisamos desvincular o aprendizado da necessidade de diplomas visando o mercado de trabalho. Somos humanos, pessoas únicas e isso precisa ser construído diariamente. Sem isso, que contribuição podemos dar, que marcas vamos deixar?
Olho para essa pintura e penso no quão limitada deve ser a vida de uma lavadeira, de alguém que busca seu sustento em atividades braçais, exaustivas portanto, e que remuneram pouco, de modo que muito mal se "ganha para as sopas", como escreveu Cesário Verde, acerca de uma passadeira. Embora necessitemos de trabalhar para viver, e as profissões fazem parte da organização social, com tarefas diferentes sendo executadas, precisamos acumular formação e utilizá-la, por exemplo, pensando sobre essa própria sociedade em que estamos inseridos, com a qual certamente temos algo a contribuir. Será que tudo tem de ser como está? Se deve mudar, por que, para quê, como, quando? Perguntar é próprio de quem pensa.
Estudamos sob curriculuns escolares que não determinamos. Em que pese esta ser uma parte importante da nossa formação, há uma série de experiências que podemos e devemos ter fora da sala de aula. Para alguém que estude engenharia civil, por exemplo, visitar as construções do Niemeyer é tão ou mais importante do que muitos livros.
Esta pintura belíssima que vemos nesta postagem está em exposição no CCBB RJ, como parte de IMPRESSIONISMO, PARIS E A MODERNIDADE, até 13 de janeiro de 2013. Eu fui apreciar as obras no dia 2, e nesta quarta dia 7 levei os meus pequenos. Arte é essencial na vida das pessoas, mais ainda para os que estão em plena formação escolar/acadêmica.
Aproveitando a internet, há sites como o DOMÍNIO PÚBLICO, repleto de obras literárias, obras de arte; há a possibilidade de ouvir e/ou baixar as obras de Beethoven; Karl Orf; Vivaldi, Verdi, se falamos em música. Precisamos desvincular o aprendizado da necessidade de diplomas visando o mercado de trabalho. Somos humanos, pessoas únicas e isso precisa ser construído diariamente. Sem isso, que contribuição podemos dar, que marcas vamos deixar?
Olho para essa pintura e penso no quão limitada deve ser a vida de uma lavadeira, de alguém que busca seu sustento em atividades braçais, exaustivas portanto, e que remuneram pouco, de modo que muito mal se "ganha para as sopas", como escreveu Cesário Verde, acerca de uma passadeira. Embora necessitemos de trabalhar para viver, e as profissões fazem parte da organização social, com tarefas diferentes sendo executadas, precisamos acumular formação e utilizá-la, por exemplo, pensando sobre essa própria sociedade em que estamos inseridos, com a qual certamente temos algo a contribuir. Será que tudo tem de ser como está? Se deve mudar, por que, para quê, como, quando? Perguntar é próprio de quem pensa.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Cotas nas Universidades Públicas
Qual a relação entre cotas e o Teatro Municipal? Apenas que relacionam-se a pessoas e cultura numa mesma sociedade. Mesma sociedade? Que mesma sociedade? Acho que é partindo dessa pergunta que deve ser feita a discussão. E sim, no momento sou a favor das cotas, como medida temporária.
Veja, entrei para a graduação através do PRO-UNI. Eu já vinha fazendo vestibular há 5 anos quando o programa surgiu. Mas eu havia concluído o Ensino Médio em 1990, consegui a bolsa para o ano letivo de 2006. Tive muitas preocupações para recuperar os conteúdos que compunham a minha defasagem. Esse é um ítem muito importante quando falamos em cotas, pois esta medida está diretamente relacionada com a baixa qualidade da escola pública brasileira. Vem daí as dificuldades dos alunos cotistas e bolsistas: o ensino superior é parte num sistema educacional, e o êxito neste nível está grandemente ligado aos conteúdos apreendidos nas etapas anteriores.
Penso, no entanto, que o ensino superior tem muita relação com a maturidade do aluno, até porque não é uma continuação e sim um novo patamar na formação. É uma formação que pode abrir portas para o mercado de trabalho ou promoções na carreira já existentes, mas não é para isso que o ensino acadêmico existe, não é para tão pouco.
Esta é uma medida do governo brasileiro, mas pergunto que outras medidas estão sendo ou serão tomadas com o objetivo de construir uma educação de qualidade neste país, em todos os níveis, nas redes públicas e privadas? Essa é, a meu ver, a questão que interessa.
A foto que inicia esta postagem eu tirei recentemente da lateral do Teatro Municipal com o celular mesmo, um dia desses, porque ainda não entrei lá depois da reforma. Só entrei nesse maravilhoso lugar uma vez, a convite de uma amiga, para ver a exibição do filme Limite, que havia sido restaurado e cuja trilha sonora seria tocada ao vivo pela orquestra. Isso foi em 1989. Minha amiga, por acaso é branca. Recebi muitos olhares atravessados naquele dia. Será que é tão estranho alguém gostar de cultura, conhecer músicas de concerto, buscar formação em razão da cor e da condição de baixa renda econômica?
Enquanto ainda se achar inesperado um negro e um pobre escolherem carreiras acadêmicas e pugnarem pelo seu lugar ali, enquanto não construirmos uma sociedade com condições iguais para todos, muitas medidas serão necessárias, inclusive as cotas.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Portas, janelas, metáforas...
Se as pessoas tivessem noção de quão libertador o conhecimento pode ser, como seria o mundo? Será que teríamos a coragem necessária para sermos livres?
Tenho pensado nas teorias marxistas que conheço; nas primeiras experiências socialistas no mundo (do surgimento ao encerramento) e no quanto possa haver de possibilidade de transformação do mundo, considerando que o capitalismo está já tão arraigado na sociedade que parece ser impossível construir e estruturar outro modo de vida, outros costumes e outros objetivos.
Talvez eu possa partir daí: - as pessoas estão pensando as próprias possibilidades ou simples e cegamente estão tentando "chegar lá"? Como será possível organizar o mundo de modo que haja igualdade na quantidade de trabalho realizado por cada um, e na divisão dos que for produzido? Como haverá justiça social? Por onde começar a mudar o sistema, pelas eleições? Reparos ou Revolução?
Talvez não costumemos nos dar conta da importância das propostas, mas realizamos depois de termos pensado sobre e não o contrário. Quando eu já tinha o meu menino mais velho, um amigo disse que não havia razão para eu estar fora da universidade. Até aquele dia, eu tinha como certo que eu nunca faria faculdade. Pensemos nisso. Não teorizamos o mundo por esporte...
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Eric J. Hobsbawm
Morreu hoje, 1 de outubro de 2012, como está sendo amplamente noticiado, o historiador Hobsbawm. Seus livros de história são parte fundamental dos meus estudos, mesmo eu sendo de literatura, porque penso no mundo que temos e me preocupo com o mundo que estamos construindo, e isso só se faz, penso, conhecendo nosso passado. Me sinto algo órfã, por um lado, porque ele não escreverá mais, mas sou feliz por ter acesso aos seus escritos já há algum tempo.
95 anos de vida de alguém que bem poderia viver e escrever por mais uns 40 aninhos. Mas, devo me conformar, é da nossa condição a finitude da vida. Hobsbawm, assim como Jorge de Sena, Baudelaire, Camões, Joyce, Hemingway, Mann, Melville, Jane Austen, Kafka e tantos outros passam a habitar, definitivamente, o espaço textual. Presente Sempre.
domingo, 30 de setembro de 2012
Associações, entidades e sindicatos.
A área da educação, assim como outras na sociedade, possuem suas formas de organização e respectivas entidades, e penso que conhecer um pouco esse universo seja importante. Participar também. Vamos ver algumas:
Hoje descobri a ABED - Associação Brasileira de Ensino à Distância, cuja página na internet é http://www2.abed.org.br/ . Nesta página, além de informações sobre a entidade, há um link Biblioteca, com recomendações de livros; e artigos disponibilizados para ler.
A UNE - União Nacional dos Estudantes é bem famosa, já tem mais de meio século de existência, com perfís diferentes com o passar do tempo. Sua página é www.une.org.br
ANDES - Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior, cuja página é www.andes.org.br
(este post vale uma pesquisa de fôlego, "tipo" durante esta semana toda...)
sábado, 29 de setembro de 2012
Ensino à distância ou como ser aluno e professor no mundo atual.
Confesso que acho fundamental o ensino presencial, mas, quando se vive em sociedade, não é possível ficar impassível às mudanças e, em alguns casos, temos sim de nos adaptar. No entanto, creio que há como manter-se alguma qualidade no ensino, desde que se entenda que os alunos, assim como os professores e as instituições, devem estar comprometidos com o aprendizado, o que significa que as tarefas inerentes aos estudos devem ser cumpridas. As leituras de livros, artigos acadêmicos, jornais, etc, não estão dispensados, senhoras e senhores.
Há uma preocupação com a mediação neste tipo de curso. No que escolhi a instituição parece cuidar bem disso, tanto pelas primeiras atividades envolverem apresentação e interação via e-mail, como na primeira videoconferência já terem tocado na necessidade de os alunos interagirem com o curso e com os colegas.
O que posso afirmar de cara é que é preciso organização, tanto quanto num curso presencial. Desse modo, a flexibilidade que este tipo de estudo permite não se tornará sinônimo de bagunça. Então, horário e tempo pra estudar, assim como espaço físico e material didático para anotações não são peças de museu.
Aos meus colegas, bom curso.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Livros, livros e mais livros...
Esses são uns "livrinhos singelos" que estou lendo pra minha dissertação: VERSO COM VERSO, do Jorge Fernandes da Silveira (UFRJ); CRÍTICA DA MORAL CANSADA, do Ronaldo Lima Lins(UFRJ); MARXISMO E TEORIA DA LITERATURA, do Gyorgy Lukács; OS TRABALHOS E OS DIAS d Hesíodo; OBRAS COMPLETAS de Carlos de Oliveira.
Essa é só uma parte, é claro. O principal mesmo são as obras do próprio Jorge de Sena. E penso, hoje, nessa questão de organizarmos o que precisamos ler, em que ordem, bem como a necessidade de aprendermos a rejeitar as leituras que não poderemos fazer (seja devido à exiguidade do tempo, seja devido à necessidade de não ser repetitivo no assunto, etc). Saber escolher é fundamental também quando somos alunos.
Tão importante quanto saber escolher é saber ler. Sim, saber ler. Quando lemos algo, precisamos entender todo o vocabulário, pois isso faz diferença no sentido do texto. Momento e fase, por exemplo, embora tenha relação com o tempo, são palavras com significados bem diversos. Do mesmo modo, se o texto se refere a algo que desconhecemos, como um evento histórico por exemplo, é preciso ou útil se informar sobre o que significa. Penso que essas coisas interferem no entendimento do texto, penso que seja mais eficaz ter esses cuidados do que ficar lendo o mesmo texto diversas vezes.
Atenção é algo fundamental, assim como óculos, quando precisamos deles. Penso que muitos detalhes influenciam - para o bem e para o mal - no rendimento dos nossos estudos.
Essa é só uma parte, é claro. O principal mesmo são as obras do próprio Jorge de Sena. E penso, hoje, nessa questão de organizarmos o que precisamos ler, em que ordem, bem como a necessidade de aprendermos a rejeitar as leituras que não poderemos fazer (seja devido à exiguidade do tempo, seja devido à necessidade de não ser repetitivo no assunto, etc). Saber escolher é fundamental também quando somos alunos.
Tão importante quanto saber escolher é saber ler. Sim, saber ler. Quando lemos algo, precisamos entender todo o vocabulário, pois isso faz diferença no sentido do texto. Momento e fase, por exemplo, embora tenha relação com o tempo, são palavras com significados bem diversos. Do mesmo modo, se o texto se refere a algo que desconhecemos, como um evento histórico por exemplo, é preciso ou útil se informar sobre o que significa. Penso que essas coisas interferem no entendimento do texto, penso que seja mais eficaz ter esses cuidados do que ficar lendo o mesmo texto diversas vezes.
Atenção é algo fundamental, assim como óculos, quando precisamos deles. Penso que muitos detalhes influenciam - para o bem e para o mal - no rendimento dos nossos estudos.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Livros arrumadinhos na estante, mesa ou prateleira...
...podem ser sinal de que sejam meros objetos para enfeitar sua casa, servindo também à causa de passar uma impressão de sua cultura. Não, eu não estou argumentando em prol do caos total (ao menos, não durante a totalidade do tempo);uma certa ordem é, inclusive, muito benéfica aos estudos.
A pilha desta foto, por exemplo, é a reunião dos SARAMAGOS que possuo. E estão arrumadinhos porque no momento não os posso ler.
Essa outra foto traz uma pilha de uma revista acadêmica, a METAMORFOSES, editada pela Cátedra Jorge de Sena - UFRJ. Não espero que todos saibam, mas o poeta português Jorge de Sena (1919-1978) é o autor objeto do meu mestrado. Foi essencialmente poeta, mas também um exímio ensaísta, estudioso de literaturas, romancista, tradutor e autor de contos.
Estas revistas assim organizadas são um exemplo de algo cuja ordenação e proximidade é essencial para os estudos. Esse é um material que ocupa um lugar de destaque nos meus estudos e, por essa razão, devem estar à mão todos os dias.
A pilha desta foto, por exemplo, é a reunião dos SARAMAGOS que possuo. E estão arrumadinhos porque no momento não os posso ler.
Essa outra foto traz uma pilha de uma revista acadêmica, a METAMORFOSES, editada pela Cátedra Jorge de Sena - UFRJ. Não espero que todos saibam, mas o poeta português Jorge de Sena (1919-1978) é o autor objeto do meu mestrado. Foi essencialmente poeta, mas também um exímio ensaísta, estudioso de literaturas, romancista, tradutor e autor de contos.
Estas revistas assim organizadas são um exemplo de algo cuja ordenação e proximidade é essencial para os estudos. Esse é um material que ocupa um lugar de destaque nos meus estudos e, por essa razão, devem estar à mão todos os dias.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Local adequado pra estudar.
Essa foto é uma vista possível de uma das janelas da biblioteca da Maison de France, que fica no 11º andar do prédio localizado no Centro do Rio de Janeiro/RJ. Eu tirei com o meu celular (calma, não pensava em ganhar o Pulitzer como fotógrafa!) nesta segunda -17.09 - enquanto lia uma das obras fundamentais para a minha dissertação de mestrado. Esta biblioteca é aberta ao público, desde que seguidas as regras de seu cadastramento e com o pagamento da devida taxa anual, que não é de valor impeditivo.
Bibliotecas são essenciais na vida de qualquer estudante e pesquisador sério, principalmente devido aos livros necessários que possui, mas também pela possibilidade de leitura com um nível de concentração maior, o que tem muita relação como o local. Salas de leitura tem a vantagem adicional de permitir que levemos nossos próprios livros para um local adequado.
Ler, estudar são atividades que demandam pensamentos - escritos ou não - como consequência. Pensando nisso, não podemos desprezar o papel do local de leitura e estudo. Mesmo que desenvolvamos nossas atividades em casa, é preciso organização, planejamento e disciplina.
Se essas condições são fundamentais nos alunos do estudo convencional/presencial, há que se redorar a disciplina quem se propuser a realizar os estudos na modalidade EAD, ou seja Ensino à Distância. Em toda a situação de aprendizado o esforço do aluno é condição inerente, mas para se estudar sozinho - pois no EAD temos fóruns, os e-mails de todos, mas não estudamos todos ao mesmo tempo no mesmo ambiente - é preciso um nível de maturidade e compromisso extra.
Bibliotecas são essenciais na vida de qualquer estudante e pesquisador sério, principalmente devido aos livros necessários que possui, mas também pela possibilidade de leitura com um nível de concentração maior, o que tem muita relação como o local. Salas de leitura tem a vantagem adicional de permitir que levemos nossos próprios livros para um local adequado.
Ler, estudar são atividades que demandam pensamentos - escritos ou não - como consequência. Pensando nisso, não podemos desprezar o papel do local de leitura e estudo. Mesmo que desenvolvamos nossas atividades em casa, é preciso organização, planejamento e disciplina.
Se essas condições são fundamentais nos alunos do estudo convencional/presencial, há que se redorar a disciplina quem se propuser a realizar os estudos na modalidade EAD, ou seja Ensino à Distância. Em toda a situação de aprendizado o esforço do aluno é condição inerente, mas para se estudar sozinho - pois no EAD temos fóruns, os e-mails de todos, mas não estudamos todos ao mesmo tempo no mesmo ambiente - é preciso um nível de maturidade e compromisso extra.
sábado, 15 de setembro de 2012
"Sala da imaginação"
Esta sala foi construida na Universidade de Bangcoc, "para estimular a criatividade". É claro, fico pensando nos prédios das faculdades de letras, em que as bibliotecas estão grandemente pobres de livros e inseguras, sem ar condicionado e boas mesas de leitura, ou seja, o básico. No entanto, olhar este tipo de matéria, penso em aproveitar algumas idéias - como ter contato frequente com arte, música e gibis.
( http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI6153877-EI8266,00-Para+estimular+criatividade+universidade+cria+sala+da+imaginacao.html )
Acho que, embora mudanças estruturais dependam da coletividade e do seu órgão regulador, refiro-me ao Estado, fazemos parte desses coletivos e - portanto- nosso esforço pessoal importa muito. (Sem falar no gostinho de alcançarmos o nosso potencial e, porque não? superarmos nossos limites). Então, combinar estudo árduo com algumas "distrações" e criarmos, nem que seja primeiro em casa, um ambiente para estimular nossa criatividade. Penso que não custa tentar.
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