quinta-feira, 4 de abril de 2013

MESTRE, com um nove e meio.


Este rapazinho com feições portuguesas na foto é o meu orientador, Luis Maffei. Ele é, realmente, um grande profissional.

No último dia 19 de março, pela manhã, aconteceu a defesa, o momento de encerramento do curso de mestrado por excelência. E é um momento muito importante, pois uma dissertação de mestrado é um trabalho construído ao longo de dois anos, mas que envolve um espectro de elementos maior do que tempo e leituras imediatas, visto que demanda por parte do aluno a formulação, em que é fundamental todo o seu cabedal de informações e experiências.

Há um ano atrás cheguei a pensar que não terminaria, que não valia à pena terminar, devido a certas pedras no caminho, para ser eufemista e lembrar Drummond. E é um grande alívio ter conseguido terminar. O título é importante, mas há uma série de outras questões envolvidas, de maior valor se tenho como perspectiva uma vida inteira e não um mero diploma.

É enriquecedor, mesmo com os percalços, afinal todas as etapas oferecem oportunidades de aprendermos algo, inclusive o que não fazer, em quem não confiar, que caminhos trilhar, em que momento fazer flexões de rumo, sem perder o objetivo.

Agora os estudos sobre Jorge de Sena ganharam um novo tema: TRABALHO E TRABALHADORES.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012

Aprendi muitas coisas desde que entrei pra universidade, em 2006. No entanto, provavelmente a lição mais importante é que o conhecimento não mora necessariamente lá. Não é uma perda de tempo a universidade, mas acho ligada demais ao personalismo de certas figuras,e acho que isso atravanca o processo.
Para os próximos dois anos pelo menos, pretendo aprender com Mestres do quilate de J. R. R. Tolkien, Jorge de Sena, James Joyce, Melville, Tolstói, Dostoyevsky, Ruy Belo, Luiz Miguel Nava.

sábado, 17 de novembro de 2012

Estudantes e feriados.


Mesmo eu não sendo exatamente uma fã de cálculos e estatísticas, minhas experiências como aluna, mãe e professora me mostraram que grande parte dos alunos vê nos feriados uma grande oportunidade de se libertar da tortura de estudar. Primeiro, por não precisarem ir para a escola.Segundo, apelando para o salutar descanso, e bem merecido somente no caso de bem poucos alunos muito dedicados.  Sendo assim, vamos por partes.

Equilíbrio é muito importante quando se trata da construção das nossas vidas, e é algo plenamente desprezado durante a nossa juventude, período da vida em que nos sentimos irmãos siameses do superman. Quem é de estudar exagera, quem é de trabalhar exagera, quem é de vagabundear também. Excessos, como sabemos, não fazem bem.

Pode ser proveitoso pensar porque se rejeita assim o que chamarei de "tempo da escola",  porém, isso me leva imediatamente a perguntar se é a escola que rejeitam ou a formação, a possibilidade de aprender. E nas nossas instituições de ensino há a possibilidade de estarmos em contato com o conhecimento? Bom, responder a isso será para uma outra postagem. 

Para quem estuda sem se prender às limitações do nosso ensino, nem dos anseios do capitalismo, e mesmo para quem estuda visando o mercado de trabalho, um feriado é uma grande oportunidade de ler textos com calma; fazer ou refazer cálculos complexos, buscar informações suplementares, ou ler algo que está fora da sua alça de mira, buscando pura distração ou uma formação mais ampla e baseada.

A vida é repleta de oportunidades, muitos já disseram, mas nunca é demais repetir. Mesmo as adversidades, os erros, são oportunidades de aprender, guardado o tempo necessário para afastar as mágoas - que embaçam a nossa visão. Aprender, assim como viver, é difícil e trabalhoso, mas sem isso não aproveitamos a vida amplamente.  

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Atividades extracurriculares

Lavadeira - PAUL GUIGOU 1860

Estudamos sob curriculuns escolares que não determinamos. Em que pese esta ser uma parte importante da nossa formação, há uma série de experiências que podemos e devemos ter fora da sala de aula. Para alguém     que estude engenharia civil, por exemplo, visitar as construções do Niemeyer é tão ou mais importante do que muitos livros.

Esta pintura belíssima que vemos nesta postagem está em exposição no CCBB RJ, como parte de IMPRESSIONISMO, PARIS E A MODERNIDADE, até 13 de janeiro de 2013. Eu fui apreciar as obras no dia 2, e nesta quarta dia 7 levei os meus pequenos. Arte é essencial na vida das pessoas, mais ainda para os que estão em plena formação escolar/acadêmica.

Aproveitando a internet, há sites como o DOMÍNIO PÚBLICO, repleto de obras literárias, obras de arte; há a possibilidade de ouvir e/ou baixar as obras de Beethoven; Karl Orf; Vivaldi, Verdi, se falamos em música. Precisamos desvincular o aprendizado da necessidade de diplomas visando o mercado de trabalho. Somos humanos, pessoas únicas e isso precisa ser construído diariamente. Sem isso, que contribuição podemos dar, que marcas vamos deixar?

Olho para essa pintura e penso no quão limitada deve ser a vida de uma lavadeira, de alguém que busca seu sustento em atividades braçais, exaustivas portanto, e que remuneram pouco, de modo que muito mal se "ganha para as sopas", como escreveu Cesário Verde, acerca de uma passadeira. Embora necessitemos de trabalhar para viver, e as profissões fazem parte da organização social, com tarefas diferentes sendo executadas, precisamos acumular formação e utilizá-la, por exemplo, pensando sobre essa própria sociedade em que estamos inseridos, com a qual certamente temos algo a contribuir. Será que tudo tem de ser como está? Se deve mudar, por que, para quê, como, quando? Perguntar é próprio de quem pensa.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cotas nas Universidades Públicas



Qual a relação entre cotas e o Teatro Municipal? Apenas que relacionam-se a pessoas e cultura numa mesma sociedade. Mesma sociedade? Que mesma sociedade? Acho que é partindo dessa pergunta que deve ser feita a discussão. E sim, no momento sou a favor das cotas, como medida temporária.

Veja, entrei para a graduação através do PRO-UNI. Eu já vinha fazendo vestibular há 5 anos quando o programa surgiu. Mas eu havia concluído o Ensino Médio em 1990, consegui a bolsa para o ano letivo de 2006. Tive muitas preocupações para recuperar os conteúdos que compunham a minha defasagem. Esse é um ítem muito importante quando falamos em cotas, pois esta medida está diretamente relacionada com a baixa qualidade da escola pública brasileira. Vem daí as dificuldades dos alunos cotistas e bolsistas: o ensino superior é parte num sistema educacional, e o êxito neste nível está grandemente ligado aos conteúdos apreendidos nas etapas anteriores.

Penso, no entanto, que o ensino superior tem muita relação com a maturidade do aluno, até porque não é uma continuação e sim um novo patamar na formação. É uma formação que pode abrir portas para o mercado de trabalho ou promoções na carreira já existentes, mas não é para isso que o ensino acadêmico existe, não é para tão pouco.

Esta é uma medida do governo brasileiro, mas pergunto que outras medidas estão sendo ou serão tomadas com o objetivo de construir uma educação de qualidade neste país, em todos os níveis, nas redes públicas e privadas? Essa é, a meu ver, a questão que interessa.


A foto que inicia esta postagem eu tirei recentemente da lateral do Teatro Municipal com o celular mesmo, um dia desses, porque ainda não entrei lá depois da reforma. Só entrei nesse maravilhoso lugar uma vez, a convite de uma amiga, para ver a exibição do filme Limite, que havia sido restaurado e cuja trilha sonora seria tocada ao vivo pela orquestra. Isso foi em 1989. Minha amiga, por acaso é branca. Recebi muitos olhares atravessados naquele dia. Será que é tão estranho alguém gostar de cultura, conhecer músicas de concerto, buscar formação em razão da cor e da condição de baixa renda econômica?

Enquanto ainda se achar inesperado um negro e um pobre escolherem carreiras acadêmicas e pugnarem pelo seu lugar ali, enquanto não construirmos uma sociedade com condições iguais para todos, muitas medidas serão necessárias, inclusive as cotas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Portas, janelas, metáforas...


Se as pessoas tivessem noção de quão libertador o conhecimento pode ser, como seria o mundo? Será que teríamos a coragem necessária para sermos livres?

Tenho pensado nas teorias marxistas que conheço; nas primeiras experiências socialistas no mundo (do surgimento ao encerramento) e no quanto possa haver de possibilidade de transformação do mundo, considerando que o capitalismo está já tão arraigado na sociedade que parece ser impossível construir e estruturar outro modo de vida, outros costumes e outros objetivos.

Talvez eu possa partir daí: - as pessoas estão pensando as próprias possibilidades ou simples e cegamente estão tentando "chegar lá"?  Como será possível organizar o mundo de modo que haja igualdade na quantidade de trabalho realizado por cada um, e na divisão dos que for produzido? Como haverá justiça social? Por onde começar a mudar o sistema, pelas eleições? Reparos ou Revolução?

Talvez não costumemos nos dar conta da importância das propostas, mas realizamos depois de termos pensado sobre e não o contrário. Quando eu já tinha o meu menino mais velho, um amigo disse que não havia razão para eu estar fora da universidade. Até aquele dia, eu tinha como certo que eu nunca faria faculdade. Pensemos nisso. Não teorizamos o mundo por esporte...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Eric J. Hobsbawm


Morreu hoje, 1 de outubro de 2012, como está sendo amplamente noticiado, o historiador Hobsbawm. Seus livros de história são parte fundamental dos meus estudos, mesmo eu sendo de literatura, porque penso no mundo que temos e me preocupo com o mundo que estamos construindo, e isso só se faz, penso, conhecendo nosso passado. Me sinto algo órfã, por um lado, porque ele não escreverá mais, mas sou feliz por ter acesso aos seus escritos já há algum tempo.

95 anos de vida de alguém que bem poderia viver e escrever por mais uns 40 aninhos. Mas, devo me conformar, é da nossa condição a finitude da vida. Hobsbawm, assim como Jorge de Sena, Baudelaire, Camões, Joyce, Hemingway, Mann, Melville, Jane Austen, Kafka e tantos outros passam a habitar, definitivamente, o espaço textual. Presente Sempre.